sábado, 24 de dezembro de 2016

A História de uma Canção

Caros familiares;  Caros amigos reais e virtuais,

Faço-lhes minha homenagem neste NATAL,  contando uma linda história, da qual eu gosto muito,  é a história de uma canção, Noite Feliz.  Espero que gostem e desejo-lhes um NATAL com muita saúde,  paz, harmonia e amor.





segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Roupas com histórias infantis

Roupas persanaluzadas com os temas das histórias infantis clássicas e músicas clássicas também infantis são encontradas com qualidade no site da marca RABISPIXA.
As roupas são lindas, bem feitas e atende a diversas faixas de idades infantis.
É um site responsável no qual já comprei e fui muito bem sucedida. As crianças as quais eu agraciei amaram. 
Levei algumas peças de presente para os USA. Foi um sucesso. 
Para quem mora na cidade do Rio de Janeiro, dependendo do bsirro, pode entrar em contato com os responsáveis e sua encomenda será entregue em sua casa sem custo de correios. 
Site:

Entrem para conferir. Você vai encantar.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Primeiro de abril, dia da mentira.

É curioso como, em todos os anos, fazemos essa reflexão.
 
Se mentir não é uma coisa boa, por que ter um dia em sua homenagem?

Lembro-me sempre das palavras de meu saudoso pai: Mentir é tão feio, é prejudicial.

Em minha opinião, o dia da mentira é um dia de reflexão.
Pensar sobre a palavra mentira que contraria muita gente e faz muitos reféns significa refletir sobre o que ela nos causa ou provoca: dor, tristeza, decepção. Risos, alegria momentânea, brincadeiras, relatos divertidos.

Por falar em contos, causos divertidos vou contar-lhes  em breves palavras a história da Revoltas das Palavras escrita em um livro de José Paulo Reis e desenhos de Angela-Lago.
José Paulo Reis diz ser uma fábula moderna.

No livro ele brinca com a palavra Verdade e Mentira. Elas se revoltam segundo o autor pelo fato de não aguentarem mais ser mal usados. Elas resolveram durante um dia atrapalhar a vida de todo mundo que alterasse o seu real sentido para enganar as pessoas de boa fé.

Conta com muita graça: A Verdade diz às palavras: “De agora em diante, todas nós devemos nos recusar a ser mal-usadas. Assim quando alguém quiser dizer ou escrever uma mentira disfarçada de verdade, não conseguirá. Porque, em vez de eu aparecer, mandarei no meu lugar a Mentira”. E vice-versa.

Ele conta uma fábula interessante onde o responsável de uma gráfica escreve os anúncios a ele encomendados e os anúncios aparecem no outro dia nos jornais o contrário: o anúncio encomendado por um industrial eram elogiando seus produtos, mas aparecem no outro dia no jornal falando o contrário com muita clareza dizendo: "os produtos estavam muito longe de serem os melhores do mundo".

Claro que ele ligou furioso para o dono da gráfica que coitado não soube explicar o que havia acontecido, pois ele mesmo antes de publicá-lo conferiu e nada havia sido alterado.

Imaginem o rebuliço. O livro explica muito bem a troca de palavras e nos alerta para que nunca tentemos mudar o sentido delas para conseguirmos algo ou iludir alguém.

É um livro muito bom para ser lido neste dia Primeiro de Abril.

Eu recomendo, pois ele tem humor.

domingo, 20 de março de 2016

Dia Nacional do Contador de Histórias


Comemoramos hoje, 20 de março, o Dia Nacional do Contador de Histórias!
Contar histórias e atrair a atenção do público não é coisa simples.
Uma pessoa para contar uma história precisa de muitas habilidades:
O Dom da Palavra, Presença;  Simplicidade;  Boa Memória;  Repertório;  Conhecimento e muito mais.
Hoje em dia, quem quer contar histórias precisa de tudo isso, além de muito estudo e pesquisa, pois o público está cada vez mais exigente. Ser Contador de Histórias é coisa séria.
Por exigir tanto de quem gosta e tem o dom de contar histórias, nós, os Contadores de Histórias,  estamos lutando para que esta Arte se torne uma profissão.
Profissão  que exige disciplina, prática e muito estudo e pesquisa.
Quem conta uma história sempre tem várias perguntas a responder:
Quando, Como, Onde e Porque me tornei  um contador de histórias?
Eu, por exemplo. Desde muito pequenina ouvi histórias de minha avó materna e de minha mãe, contadoras de histórias natas, pois utilizavam delas para educarem os filhos. Eram elas sábias mulheres.
Minha mãe,  com seus 96 anos de idade,  ainda hoje reúne grande público quando começa a contar algo de sua vida, do tempo e lugar onde nasceu. Enquanto conta ninguém pisca. Às vezes dão risadas, quando conta algo engraçado.
Antigamente, nos anos 50 ela  era uma jovem senhora e professora, com seus sete filhos, morando longe dos grandes centros, numa pequena vila sem luz elétrica, segurava sua lamparina, assentava-se a noite no fogão de lenha rodeada pelos filhos, seus sete tesouros e, descortinava histórias.
Eu lembro perfeitamente. Era muito belo este momento, pois era fascinante.
Demorei a começar contar histórias. Esperei demais, para entrar nesta Arte que sempre me  encantou.
Primeiro contei causos, pois aprendi com meu pai, também um professor que passou sua vida ensinando aos seus alunos matemática e física contando causos. Eu me encantava com tudo que ele contava, pois tudo era muito divertido.
As histórias, eu não sei por que razão,  deixei-as para mais tarde, quem sabe elas estavam maturando em meu subconsciente.
O fato é que eu só me dei conta de que podia contar histórias, depois que me aposentei. Tarde demais, lastimo, pois eu sabia desde pequenina naquela vila onde morava com meus pais e irmãos que seria uma contadora de histórias. Eu sentia isto quando ouvias as que minha mãe e avó contavam e, quando ouvia os causos de meu pai.
Nasci num lugar propício a oralidade. Lá tudo virava histórias. Seu povo era rico de palavras encantadas, de palavras que correm e andam em direção de uma roda de histórias.
Este povo com os quais eu convivi, inventava palavras e frases, buscava palavras antigas, floreava, encantava e até colocava magia em tudo. Tenho saudades dos meus tempos de criança.
A saudade é tanta que um dia escrevi sobre aqueles tempos, ao lado de minha mãe, minha primeira professora da Arte de Contar Histórias.
Naquele tempo ela tinha de ser realmente uma mulher sábia, pois tinha que inventar, se virar para fazer felizes os seus sete filhos, num lugar com tantas superstições, onde a vida era simples demais.

Para vocês a história que eu escrevi falando de minha mãe com seus sete filhos.
 
No aconchego de uma mãe

                Qual mãe brinca de pegar, esconde – esconde, correr, pular, fazer caretas e tudo mais com seus filhos em dia de chuva? Conheço uma que fazia tudo isto.
Lembro quando criança de uma mãe que acordava cedo, corria para o trabalho e voltava tarde, cansada e feliz! Adorava estar junto de seus filhos que ainda são seu maior tesouro.

                Tinha uma vida simples, mas cheia de aventuras. Como entreter sete crianças dentro de casa em dias de muita chuva, frio e vento? Ela conseguia porque, junto com os filhos, virava criança também! Corria de um lado para outro, escondia qualquer coisa para que procurassem, chutava bola, brincava com bonecas e o que mais pudesse inventar para animar seus pequenos. Tudo era possível.
                Os vizinhos e sua querida companheira de todas as horas, uma jovem que a ajudava na lida da casa, também madrinha de uma de suas filhas, observavam e deviam pensar “Que loucura! Como ela pode fazer tudo isto?”.

                Quando chegava do trabalho o marido não queria acreditar no que estava vendo!
                - Veia! - Dizia ele de maneira carinhosa como sempre a chamava - O que é isso? Você está louca?

                - Apenas brincando com nossos filhos, coitados, com chuva eles não podiam ir para o quintal! - Era a resposta que dava com um sorriso.

                - Só você mesmo! -  Respondia ele balançando a cabeça e olhando para cada um dos filhos. Ficava surpreso e ao mesmo tempo feliz vendo tanta alegria naqueles rostinhos suados. Imaginava que as brincadeiras já duravam horas!
                - Está anoitecendo - O pai, amorosamente falava - vamos mudar de diversão porque está na hora do meu noticiário no rádio.

                A mãe e os filhos deixavam a enorme sala e iam para a cozinha onde todos sentavam ao redor do fogão a lenha para ouvir as histórias que ela contava. Falava sobre reis e rainhas, príncipes e princesas, fadas e bruxas, animaizinhos e feras, assombrações, histórias bíblicas e até alguma passagem sua do dia a dia. Ia contando, contando até perceber os olhinhos fechando, fechando pelo sono que se aproximava.
                Como ela se encantava com aquela cena!

                Interrompia as histórias e levava-os para o quarto. E ali ficava acariciando suavemente cada criança até que todos dormissem. Voltava para a sala e dizia ao esposo: “Adormeceram serenos os nossos amados filhos. Vamos dormir também. Amanhã será outro dia.”.
                E era sempre assim. 

                Lembro perfeitamente de todos esses momentos. E meus irmãos também. Porque somos os felizes filhos dessa mãe tão especial que sabia como ninguém transformar os dias ruins em cenários de ternura, encantamento e aventuras.
 
Este conto foi inspirado na vivência com minha mãe, meu pai e meus irmãos quando éramos crianças na cidade de Lagoa Formosa – MG.

 

 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Contos de fadas tem origem pré-histórica, diz pesquisa

Para quem gosta desse assunto, veja a seguir a reportagem da BBC    


 A história "A Bela e e Fera" tem cerca de 4 mil anos de idade, aponta nova pesquisa
 
Contos de fadas como A Bela e a Fera podem ter milhares de anos, segundo pesquisadores de universidades em Durham, na Inglaterra, e em Lisboa, em Portugal.
Empregando técnicas mais comuns a biólogos, os acadêmicos investigaram as ligações entre diferentes histórias pelo mundo e descobriram que algumas possuem raízes pré-históricas.

Leia também: Qual o verdadeiro significado dos contos de fadas?

Alguns contos, segundo a investigação, são mais velhos do que os registros literários mais antigos – um deles remonta à Idade do Bronze (iniciada por volta do ano 3000 a.C.).
Em geral, acreditava-se que essas histórias datassem dos séculos 16 e 17.

Contos compartilhados

 
No século 19, os irmãos Grimm – Jacob (1785-1863) e Wilhelm (1786-1859) – acreditavam que muitos dos contos de fadas que eles ajudaram a popularizar tivessem raízes em uma história cultural compartilhada que remonta ao nascimento das línguas indo-europeias.
Pensadores depois mudaram essa concepção, ao dizer que algumas histórias eram bem mais recentes, tendo sido transmitidas pela tradição oral após serem criadas nos séculos 16 e 17.

Leia também: Fotógrafo usa formigas para criar contos de fadas

O antropólogo Jamie Tehrani, da Universidade de Durham, que trabalhou com a pesquisadora de folclore Sara Graça da Silva, da universidade Nova de Lisboa, disse ter reunido evidências que mostram que os irmãos Grimm estavam certos.
"Algumas dessas histórias são muitos mais antigas do que os primeiros registros literários, e até mais do que a mitologia clássica – algumas versões dessas histórias aparecem em textos gregos e latinos, mas nossas descobertas sugerem que são bem mais antigas do que isso."
 

Pesquisadores afirmam que irmãos Grimm estavam certos ao apontar que histórias que popularizaram são mais antigas do que registros literários mais antigos
 

Histórias milenares

 
O estudo, publicado na revista científica Royal Society Open Science, utilizou análise filogenética, desenvolvida pela biologia para investigar relações entre espécies.
Também analisou uma árvore de línguas indo-europeias para rastrear a origem de contos compartilhados por diferentes culturas, para verificar até onde poderiam ser identificados no passado.
Segundo Tehrani, o conto João e o Pé de Feijão (Jack and the Beanstalk, em inglês) foi classificado em um grupo de histórias nomeado como "O menino que roubou o tesouro do ogro", e teve a origem identificada no período da divisão leste-oeste das línguas da família indo-europeia, há mais de 5 mil anos.
A análise também mostrou que A Bela e a Fera e O Anão Saltador têm cerca de 4 mil anos de idade.
E a origem de uma história de folclore chamada O Ferreiro e o Diabo (The Smith And The Devil, em inglês), sobre um ferreiro que vende a alma em um pacto para ganhar superpoderes, foi estimada em 6 mil anos, na Idade do Bronze.
"É notável que essas histórias tenham sobrevivido sem ter sido escritas. Elas têm sido contadas antes de o inglês, francês ou italiano existirem, e provavelmente eram narradas em uma língua indo-europeia extinta", disse Tehrani.
 
 

sábado, 26 de dezembro de 2015

Natal, a mais bela história!

A história que eu mais gosto de ouvir e de contar é a história do nascimento de Jesus. Essa história nos concede, há séculos, a oportunidade de renascermos espiritualmente e começar uma nova vida. Que nossas metas e planos sejam sempre inspirados no exemplo de amor da Sagrada Família e na pureza e simplicidade do menino Jesus.
Desejo a todos um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de muitas realizações, muita saúde, alegria e amor!



quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Quem Foi Machado de Assis

Recentemente fui convidada para falar sobre Machado de Assis para o grupo de contadores de histórias - AGREGANDO, do qual faço parte também.
Em nossos encontros que acontecem uma vez por mês, é costume do grupo ora contar histórias ora estudar um autor

Eis o autor escolhido.

MACHADO DE ASSIS
Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Morro do Livramento no Rio de Janeiro, a 21 de junho de 1839. A sua origem é humilde e obscura.
Conhece-se o drama de sua pobreza; contudo, pairam, ainda, dúvidas a respeito do seu começo de vida.
Deve ter tido uma infância simples, quieta, sem grandes alegrias, nem profundas tristezas.
Provavelmente brincou com as outras crianças, mas sem elas. Desde cedo foi um introvertido. Um isolado. Sozinho e tristonho fechou-se dentro de si mesmo. Encerrou alma e inteligência em uma inacessível torre de marfim.

Na escola pública, aprendeu as primeiras letras. Após foi sacristão e o ambiente da igreja lhe encheu o espírito de “uma harmoniosa impressão de religiosidade”.
A sua primeira tendência é, pois, no sentido das coisas divinas. Muito jovem, entrou em contato com a dura realidade do mundo. Leu cheio de curiosidade; leu avidamente e encontrou na leitura o seu verdadeiro destino.
Os livros lhe deram consciência de si mesmo, do seu valor, da sua finalidade. Descobriu uma larga estrada e por ela passou a trilhar.
Inicia-se, literariamente, versejando. É um adolescente que se queixa e sofre. É um quase menino que conhece a saudade e chora a dor da ausência.

Paula Brito, Francisco Otaviano e Quintino Bocaiúva orientaram e estimaram o jovem que parecia trazer a revelação de um talento superior.
Vivendo em meio a agitações, caso singular, encarou-as com indiferença. Opiniões públicas “não as tinha fixas nem determinadas”.
Machado de Assis foi um bom. “Este cuidado de não magoar ninguém foi à norma de conduta de toda a sua vida.” Trabalhou como tipógrafo e acabou funcionário público: dois ambientes pesados que pareciam ter abafado a sua inspiração.
Todavia, não se lhe embotou a sensibilidade. Ao contrário, exacerbou-se, completou-se e acabou perfeita.

O Sofrimento, este grande cinzelador de almas e de inteligências, deu forma definitiva ao homem e ao artista.
“Machado de Assis produziu tranquilamente e sem aparato, como uma planta produz o seu fruto, sem anúncio, sem surpresa, sem admiração de si mesmo”.
Escreveu com muita influência. A forma lhe saiu naturalmente bela, como foi naturalmente profundo o conteúdo.

A obra de Machado de Assis é produzida em dois períodos literários, em duas épocas diversas e antagônicas, embora uma seja decorrente da outra.
A sua “estreia” literária se faz, ainda no Romantismo. A primeira prosa e os primeiros poemas traduzem um subjetivismo intenso e uma visão deformada das coisas.
Há versos melosos. Quase há heroínas do tipo das “Divas” e “Senhoras” de José de Alencar.

Mais tarde Machado de Assis fará o Realismo __ um realismo todo especial, “Sui-generis” __ o realismo psicológico.
Machado de Assis nunca foi um naturalista. A delicadeza dos seus sentimentos e um pudor íntimo lhe impediram o estudo do animal que espreita em cada criatura.
Ele nunca pode ligar o cientificismo à arte, nem se interessou em descrever a __ Besta humana.

Romântico na primeira fase, autor objetivo e pesquisador da alma do homem na segunda, não quis fazer o “Romantismo às avessas”, nem o realismo dos baixos apetites.
Preferiu ficar em um plano superior, como figura única, e sob certos aspectos, diríamos universal, se autor brasileiro fosse lido em outras terras...

Machado de Assis foi um humorista, quer dizer __ um autor que escreveu com “humour”. Que representará, então, esse “humour”? Será um jogo de espírito? Uma graça no dizer, no expressar? Apenas isso, não. Já um aforismo inglês declara: “Humour is more than wit”.
Há várias definições. Uma sentimental __ “Humour é uma lágrima que ri” outra mais grave __ “Cèst la plaisamentrie dùn homme qui, em plaisantant , garde une mine grave”.
Pois o humor é tudo isso e mais. É o sorriso orvalhado de lágrimas.
É o gracejo do homem que, gracejando, mantém aparência séria. É a zombaria amarga de quem esta prestes a chorar. É o sarcasmo doloroso daquele que procura escarnecer da vida, dessa vida amarga e cruel, vida que leva sempre de um desencanto a outro desencanto, de uma dor a outra dor. Vida cuja única alegria é a página final.

Machado de Assis foi um infeliz.
A epilepsia, essa neurose cujo nome tinha medo de pronunciar e cuja lembrança provocava nele arrepios de pavor, fez dele um torturado, um homem pessimista e cheio de fel.

Num estilo, que é uma verdadeira maravilha de beleza, de elegância e de correção, ele deixou o ceticismo e a velha sabedoria da sua alma, alma que tinha a velhice e a sabedoria de todos os séculos. As principais figuras de Machado de Assis, moralmente falando, estão cobertas de farrapos. Não nasceram nem para o bem, nem para o mal; mas acabam na dor; uma dor cínica e má, que não redime. As suas mulheres não encontram um ponto terminal, nem na virtude nem no erro.
São quase sempre (refiro-me à grande trilogia de Machado de Assis), criminosamente neutras. Praticam o vício inconscientemente. E têm inconscientes atitudes de nobreza.

Sabemos que Machado de Assis amou os homens e teve piedade deles. Mas, tímido e infeliz, sentiu necessidade de expandir a sua agonia interior. E deu assim, para delícia dos leitores, legítimas obras-primas. Revelou profundo conhecimento psicológico e proporcionou venenosas pílulas __ cobertas de açúcar. Escritor que amarga e desilude é, no entanto, um prazer lê-lo.
SUAS OBRAS:

- POESIAS
 
Nas Crisálidas, Machado de Assis surge saturado de Lamartine e de Musset. Não há aí a confusa exuberância dos nossos românticos. Já se verifica a preocupação do invólucro.
Os primeiros poemas, como ÊRRO, apresentam, igualmente, evidente influência de Garret.

Nos VERSOS A CORINA, um dos mais perfeitos de nossa língua, eis todo um velho tema sentimental. Eis o prenúncio do cético e do orgulhoso. Daquele que não acreditava e se deixou vencer. Daquele que foi iludido e, com o coração lacerado embora, quer ainda, ser altivo. Daquele que deseja ocultar o sangue vivo que lhe escorre das feridas. Esses versos, “inspirou-os uma grande e ignorada paixão, Machado de Assis amou com toda a veemência dos seus verdes anos. Amou e sofreu”. O poema revela esse amor, triste como tudo o que é irrealizado, traduz “a resignação suprema a um sofrimento sem remédio. É o doloroso poema de uma saudade infinita”.
FALENAS - Aparecem em 1870. Consideramos Machado de Assis um poeta de talento, com alguns lampejos de genialidade, lampejos nascidos do amor, da dor, e de reflexão filosófica. Mas, se, como poeta original, raro chega às culminâncias da arte, nas traduções a sua interpretação é primorosa. Nas Falenas, encontramos a Lira Chinesa, inspirada na prosa de Judith Walter.

A filosofia e os requintes da alma oriental foram bem assimilados por Machado de Assis.
- O “LEQUE” – é poesia leve que relembra a curta duração do amor.

- A “FOLHA DO SALGUEIRO” – tão enternecida, tão cheia de místico sentimento!...
- “CORAÇÃO TRISTE FALANDO AO SOL” – repleta de um sofrer intenso, sombria, e que traduz a prece de um coração gelado pela tristeza.

- A “UMA MULHER” – pessimista, dolorosa, que vem dizer que nem sempre o afeto puro com afeto se retribui; que às vezes é mais fácil comprar um amor...
- E, o “IMPERADOR” – que nos fala de um poderoso Senhor do Império, mas Senhor jovem e ardente, apaixonado pela esposa e, por ela, capaz de deixar as discussões graves e os graves problemas.

- As “AMERICANAS” – são de cunho mais nacionalista: tratam também, da alma; desta vez, porém, da alma selvagem.
- As “OCIDENTAIS” – são os versos da natureza do poeta. A forma adquire então o apuro máximo. É dessa fase aquele admirável “Soneto de Natal” que finaliza por um verso célebre e expressivo __ resumo das metamorfoses psíquicas:” Mudaria o Natal ou mudei eu?”.

“Mosca Azul” – dissera os sonhos e as ilusões das criaturas. É poesia desencantada e cética. A poesia do homem que esmiúça o seu destino, a sua felicidade, as suas esperanças. Esmiúça tanto que tudo destrói porque destinos, ou felicidade, ou esperança é mera ilusão.
- “O Corvo” -__ a mulher tradução em língua portuguesa do imorredouro poema daquele louco e torturado Poeta.

Como Machado de Assis sentiu a tragédia do nunca mais! Como compreendeu e viveu a implacabilidade e o irremediável das coisas!
- O CONTO:

É forma antiga e difícil. Difícil porque deve ser explícito, compreensível; porque deve abranger tudo sinteticamente, causando impressão forte. Quanto à sua antiguidade, não é trabalhoso constatá-la. Boccacio, no século XIV, produziu contos admiráveis. Pena que a essência não se recomende...

Machado de Assis é o maior contista brasileiro. Desde as Histórias Sem Data se prenuncia o escritor mais propenso à análise psicológica que à descrição da natureza. Ele próprio declara: “A natureza não me interessa; o que me interessa é o homem”.
As Histórias da Meia Noite, quanto à composição e ao estilo, pouco diferem do primeiro livro de contos. Nelas, como nos Contos Fluminenses se verifica antes o humanismo piedoso e benévolo de Mark Twain que o escárnio de um Swift ou mesmo de um Sterne. Na segunda fase dos contos, aparecem Papéis Avulsos, Histórias sem Data, Várias Histórias e Páginas Escolhidas. Já é o estilo maravilhoso das Memórias Póstumas de Brás Cubas. Predomina o psicólogo. Aparecem estudos de adolescentes, com toda a inconsciência e confusão dos seus desejos, meio tímidos e o emaranhado dos seus primeiros amores.

As obras de Machado de Assis “água com açúcar” não adentraremos, pois aqui falaremos das que destacam o escritor como romancista vigoroso que fez ouvida “a voz subterrânea” , isto é, o psicólogo que dissecou o coração de todos. Segundo a sua própria confissão, adotou no Brás Cubas a forma livre de Sterne e Xavier de Maistre, “com algumas rabugens de pessimismo”.
Brás Cubas – há na alma deste livro, por mais risonho que pareça, um sentimento amargo e áspero, que está longe de vir dos seus modelos. Brás Cubas resume o meio em que viveu: vulgaridade de caracteres, amor das aparências rutilantes, do arremedo, frouxidão da vontade, domínio do capricho!...

Brás Cubas tem muito do próprio Machado de Assis, e tem muito de cada um de nós, do nosso desespero, do nosso amargor, do nosso sarcasmo irrelevado. Brás Cubas não é Brás Cubas. É o homem de alma andrajosa e miserável. O homem que não realizou. Que não viveu. Que falhou.
Memórias Póstumas - são a autobiografia de Brás Cubas que começa pela sua morte. Resume em Brás Cubas o meio em que viveu. Assim foi seu primeiro amor: “Marcela amou-o durante quinze meses e onze contos de réis”. Brás Cubas foi embarcado à força “para estudar”. Viveu como um estroina e voltou bacharel.

Machado de Assis cultuou a beleza e a expressão do seu culto está em tudo que lhe saiu do pensamento rutilante.
Quincas Borba – personagem que aparece incidentemente no Brás Cuba é, apenas, o título do novo livro. Senhor de bens herdados, lega-os ao único amigo __ Rubião __ com condição de cuidar de um cachorro, também Quincas Borba.

D. Casmurro __ é um livro cruel. Refere-se à história de um homem simples e bom que amou a deliciosa Capitu “de olhos de ressaca, a Capitu de olhos oblíquos de cigana dissimulada”, foi enganado e tornou-se misantropo.
A cultura de Machado de Assis era vasta, daí a multiplicidade de influências que sobre ele se exerceram. Tinha a beleza clássica a harmonia severa e senso das proporções.

- Possuía do autor do Diálogo dos Mortos o espírito fino, a elegância caustica e o horror à hipocrisia. 
- Em Rabelais aprovisionou-se de um ceticismo comedido. A gargalhada homérica desse autor francês foi, nele, apenas um sorriso.

- Montaigne anunciou-lhe o “instinto de moderação e o senso profundo de vida”.
- Com Shakespeare, teve a revelação de todos os segredos humanos. A análise, que esse gênio fez de todas as paixões, saturou-o dos mistérios do coração.

- Cervantes mostrou-lhe os costumes de realidade. Machado de Assis encontrou no D. Quixote __ o misticismo medieval.  Sancho Pança o materialismo humano. Dualismo psicológico e dualismo na filosofia: os voos para o céu e as decaídas para a terra!
- Stendhal também influiu. Foi, como Machado de Assis, um isolado, um homem solitário. A sua juventude despertou igualmente por decepções, e as dificuldades apuraram a sua sensibilidade.

- De Merimée herdou “o desapego ao leitor e o desprezo de suas emoções”.
- Na filosofia, Shopenhauer lhe deu aspereza e taciturnidade.

- Todavia, o que mais fundamente e mais vitalmente orientou Machado de Assis foi o “humour” inglês.
-  Do egoísmo, do ódio e da ferocidade de Swift e da finura e da agudeza de Sterne surgiu o escritor brasileiro.

Ele não copiou ninguém porque tinha bastante talento para inovar, para criar. Os estrangeiros forneceram, apenas, cultura e fizeram que ele descobrisse o pendor natural do seu espírito.
As obras primas de Machado de Assis são perpétuas e maravilhosas. Não há plágio, nem falta de originalidade. Há uma identificação muito completa com o “humour” e a adaptação de uma forma estranha à dor brasileira.

Em suma Machado de Assis é o maior romancista nacional. Ele realizou obra eternamente jovem. Liam-no com prazer há 80 anos. É lido hoje e o será amanhã com o mesmo prazer que tinham os nossos avós.
Raramente existe nele piedade ou consolação! Quase sempre o seu sofrimento faz doer. Mas há arte na expressão mais pura.

 A sua análise psicológica e a sua neurose aproximam-no do maior romancista de todos os tempos: Dostoiewsky.
Como Dostoiewsky  foi ao âmago do coração.  Como Dostoiewsky foi um epilético. Sentiu. Sofreu.  Foi um triste.

- Machado de Assis limitou-se a descrever o bom burguês.  Não conheceu bem os pobres diabos, as criaturas que passam pela vida tristes e ignoradas. As criaturas que têm tesouros de ternura, pobres tesouros esperdiçados que ninguém quer ou ninguém chega a conhecer. Isto é a falha de Machado de Assis!  Isto é a glória de Dostoiewsky!
- Machado de Assis morreu aos 69 anos de câncer, em sua cidade natal, no dia 29 de setembro de 1908.
 

Texto do livro:  “Compêndio de Língua e de Literatura”
- Páginas – 151 a 160.
- Exemplar – no. 4596      - Edição – 6ª.
- Ano - 1960
- Autor – J. Budin e Silvio Elia
- Editora – Companhia Editora Nacional – São Paulo
 
PELA INTERNET 
 - ALGO MAIS SOBRE ESTE GRANDE ESCRITO                
Seus Pais:
- Filho de José Francisco Machado de Assis, um mulato, pintor de paredes. Sua mãe Leopoldina Machado de Assis era lavadeira, de origem portuguesa da Ilha dos Açores.
Foi ELE:
Cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta,
- Fundador e primeiro Presidente da Academia Brasileira de Letras. Ocupou a cadeira de número 23. Em sua homenagem, a Academia é chamada de "Casa de Machado de Assis”.
- Em 1858 passou a frequentar o mundo boêmio dos intelectuais do Rio de Janeiro.
O que Escreveu: 
- Romances, contos, poesias, peças de teatro, inúmeras críticas, crônicas e correspondências.

Sua Esposa:

Carolina Augusta Xavier de Novaes Machado de Assis.
Portuguesa, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1866 a fim, segundo os biógrafos, de cuidar de seu irmão enfermo Faustino Xavier de Novaes.
Nascimento: 1835, na cidade do Porto - Portugal
Casou: Em 1869  - ( 1869 a 1904)
Falecimento: 20 de outubro de 1904
 
BIBLIOGRAFIA:

Comédia

Desencantos, 1861.
Tu, só tu, puro amor, 1881.


Poesia

Crisálidas, 1864.
Falenas, 1870.
Americanas, 1875.
Poesias completas, 1901.


Romance

Ressurreição, 1872.
A mão e a luva, 1874.
Helena, 1876.
Iaiá Garcia, 1878.
Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881.
Quincas Borba, 1891.
Dom Casmurro, 1899.
Esaú Jacó, 1904.
Memorial de Aires, 1908.


Conto:

Contos Fluminenses,1870.
Histórias da meia-noite, 1873.
Papéis avulsos, 1882.
Histórias sem data, 1884.
Várias histórias, 1896.
Páginas recolhidas, 1899.
Relíquias de casa velha, 1906.


Teatro

Queda que as mulheres têm para os tolos, 1861
Desencantos, 1861
Hoje avental, amanhã luva, 1861.
O caminho da porta, 1862.
O protocolo, 1862.
Quase ministro, 1863.
Os deuses de casaca, 1865.
Tu, só tu, puro amor, 1881.


Algumas obras póstumas

Crítica, 1910.
Teatro coligido, 1910.
Outras relíquias, 1921.
Correspondência, 1932.
A semana, 1914/1937.
Páginas escolhidas, 1921.
Novas relíquias, 1932.
Crônicas, 1937.
Contos Fluminenses - 2º. volume, 1937.
Crítica literária, 1937.
Crítica teatral, 1937.
Histórias românticas, 1937.
Páginas esquecidas, 1939.
Casa velha, 1944.
Diálogos e reflexões de um relojoeiro, 1956.
Crônicas de Lélio, 1958.
Conto de escola, 2002.


Antologias

Obras completas (31 volumes), 1936.
Contos e crônicas, 1958.
Contos esparsos, 1966.
Contos: Uma Antologia (02 volumes), 1998


 
- Em 1975, a Comissão Machado de Assis, instituída pelo Ministério da Educação e Cultura, organizou e publicou as Edições críticas de obras de Machado de Assis, em 15 volumes.

- Seus trabalhos são constantemente republicados, em diversos idiomas, tendo ocorrido a adaptação de alguns textos para o cinema e a televisão